Estava lendo o texto do Zeca Camargo em seu Blog e me identifiquei muito com uma parte dele:
“Novamente me animei para correr atrás do infinito, talvez não com a energia que eu tinha na minha juventude, mas com uma, digamos, serenidade inquieta! Uma esperança da qual já havia ouvido falar. Onde mesmo? No clássico de Woody Allen, “Crimes e pecados” – claro! Custei para ter um tempo para me dedicar a isso desde que cheguei do Marrocos, mas assim que tive uma brecha, lá estava eu mais uma vez assistindo ao final do filme, em que o filósofo Professor Levy – objeto de um documentário que Cliff (o personagem do próprio Woody Allen) estava fazendo e que acabara de se suicidar – deixava a seguinte mensagem antes de partir (na minha tradução livre):
‘Somos sempre confrontados nas nossas vidas com decisões agonizantes, morais. Algumas em grande escala; a maioria dessas escolhas, no entanto, é sobre coisas pequenas. Mas nós nos definimos conforme as escolhas que fizemos. Nós somos, na verdade, a soma de nossas escolhas. Acontecimentos se desdobram de maneira tão imprevisível, tão injusta. A felicidade humana parece não ter sido incluída no desenho da criação. Somos tão somente nós, com nossa capacidade de amar, que damos sentido ao universo indiferente. E, mesmo assim, a maioria dos seres humanos parece ter a habilidade de continuar tentando, chegando até mesmo a encontrar alegria, em coisas simples como suas famílias, no trabalho, e na esperança de que gerações futuras possam compreender um pouco mais’.”
E assim são nossas vidas, cheia de simples fatos cotidianos que nos garantem a alegria e um caminho. Pena que o ato de escolher nos traga tanta infelicidade pela perda do que não optamos. Claro que Woody Allen mostra uma visão pessimista, digamos que no mesmo sentimento que Schopenhauer, mas, também muito sábia em uma dialética que nos faz refletir muito sobre a contraditória combinação entre simples e alegre. Claro que o que importa na vida são as coisas pequenas, como nossas familias, trabalho e esperança depositadas em nossas crianças, porém, a visão de que são coisas pequenas parece um pouco distorcida. Temos o amor guardado em cada canto familiar que nós passamos, em cada cheiro que nos lembra a tenra infância, em cada música que marcou nossas vidas, pequenas coisas que fazem um infinito em nós.
Assim, me sinto conectado com os pensamentos do Zeca, que precisou ir a Marrakesh para viver isto tudo. Achou sua felicidade em companhias familiares. O cotidiano nos protege e nos inspira, e eu acredito que podemos inclusive sermos felizes através deles. Usando um pouquinho das frases do O Teatro Mágico podemos afirmar que o afeto nos afeta e garante a vida feliz. Portanto, a fuga é importante para percebermos que a volta para casa é o melhor na nossa escolha de nos afastarmos de nossas origens.
Eu amo a vida, por toda esta dialética que não nos permite preencher, mas, curtir com as palavras e a contradição, que ajuda a criar samba, rock e filme.
Amei escrever este texto.
Fiquem com Deus. Valeu Zeca.
Abraços,
Humberto (Gordo_Oasis)
P.S.: Uma música que pode ser considerada ode a Dialética.
O teu afeto me afetou é fato…