Estava refletindo sobre a caminhada nesta vida e, parei a me indagar: Aonde queremos chegar? Lembrei então de uma fala de Antonio Machado – “Caminhante, não há caminho – o caminho faz-se ao caminhar”. Muitas vezes valorizamos demasiadamente o fim e esquecemos de enxergar a beleza do caminho. Queremos saber se passaremos no vestibular, se conseguiremos emprego, comprar casa, carro, se vamos ser aprovados no concurso, sempre de olhos em um futuro que nunca chega. Quando entramos nesta roda da vida, percebemos que a vida escorre entre nossos dedos. Qual a proporcionalidade das conquistas, da vitórias, derrotas, ou fim de algo que almejamos, frente ao caminhar, preparar, estudar, viver até chegar. Deixamos o mais importante por fagulhas de tempo, que vivemos como um extâse passageiro. É preciso viver o presente com mais intensidade, sem se deixar que os olhos no futuro furtem nossa capacidade de aproveitar cada momento. Carpe Diem!
Lembro-me que, quando pequeno, eu viajava com meu pai eu não me preocupava em chegar, pois, o caminho era muito mais belo do que os hotéis que eu ficava. Como eram bonitas as chapadas do Mato Grosso do Sul, a terra vermelha do Goiás, ainda lembro quando paramos em uma fazenda no interior da Bahia e eu comi caju “panhado” no pé. Neste mesmo dia eu mordi a castanha, achando que nascia pronta, queimei a lÃngua com um lÃquido, que me avisaram depois que era usado pelos Ãndios para fazer tatuagem, pois, tamanha era a queimadura que causava. Naquele tempo eu sabia aproveitar todos os presentes (pensem em tempo e presente de presentear). Eu valorizava meu tempo e o que eu vivenciava era muito vivo e alegre. Como os olhos de criança fazem o mundo colorido, os gostos mais gostosos e a vida mais divertida.
Cada caminho, cada cheiro, cada sensação. Com o passar do tempo, me ensinaram a valorizar alguns marcos: Formatura, aprovações, vitórias, conquistas e outros minúsculos intervalos de tempos que consideramos fim de alguma etapa. Desde então esqueci como era aproveitar a vida, como era andar devagar pelas ruas das cidades; sair de casa quando está chovendo; andar sem destino, aliás, sem saber para aonde ir (muito sábio Willian Shakespear quando fala “se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve”) e todo caminho era cheio de descobertas de emoções. (Eu me lembro a primeira vez que fui ao centro da cidade caminhando sozinho, foi tão marcante que ficou na minha memória. Ainda vive na minha mente a chegada na praça Tubal Vilela e o gosto do pastel quentinho da “Pastelaria Paulistana”). Tudo isto faz parte de um passado, um museu em meu cérebro. Figurinhas colecionadas de minha história. Desde então “apagaram tudo, pintaram tudo de cinza”…
E hoje? Não caminho mais, nem para fazer exercÃcio, como o médico manda. Sou fissurado em vitórias, em dia de salário, em conquistas. Eu vejo que o mundo está cada vez mais assim. Aonde vamos chegar? Não sei… Sei que eu quero voltar a caminhar… sem rumo, sem lenço e sem documento. Quero sentir o cheiro, o gosto, o toque da brisa da manhã. Então, venha comigo, vamos fingir (nem que por um minuto) que não disputamos mais… nosso carro não precisa ser o melhor, nossa casa tem apenas a função de nos abrigar e acolher, então, podemos jogar conversa fora, rir de nós mesmos, brincar como crianças. Não faço apologia a um mundo sem ambição, apenas gostaria de mostrar que estamos entrando em uma armadilha. Vamos eleger algumas prioridades: Momentos felizes. Você ainda se lembra do que te faz feliz verdadeiramente? Não vai me dizer que é uma noite de bebedeira, porque é mentira, isto te faz eufórico. Lembre-se: Nada é irreversÃvel. Então vamos lá: Lembre das pessoas que mais fazem você rir. Da sensação causada em um parque de diversões que você gostava muito. Da primeira vez que você bebeu água salgada. Vamos lá se esforce. Lembre-se dos melhores beijos e abraços. Da sensação de estar apaixonado. Por fim deixe esta emoção correr em sua veia e verás que é somente assim que pode afirmar que está vivo.
Pense bem, mais importante do que a chegada é o caminhar. Eu desejo a você um caminho cheio de paisagens e a coragem para apreciá-las.
Por fim, se a vida ficou cinza, nunca é tarde demais para recomeçar.
Fique com Deus.
Abraços
Humberto (Gordo_Oasis)
adoro admirar suas reflexoes. assim acabo praticando um pouco das minhas.huahuah.
falando em caminho, li ontem em um livro um trecho em q um homem encontrou Jesus e no meio da conversa surgiu o seguinte questionamento:
“- Isso significa que todas as estradas levam a você?
- De jeito nenhum – sorriu Jesus enquanto estendia a mão para a porta da oficina. – A maioria das estradas não leva a lugar nenhum. O que isso significa é que eu viajarei por qualquer estrada para encontrar vocês.”
me marcou e vale compartilhar.
beijoss
The best!!!
Muito lindo mesmo. Estou viajando muito nas suas histórias e relembrando momentos que já estavam guardadinhos bem no fundo da memória. Lú.
Humberto,
Gostei d+ deste artigo. Me fez refletir bastante. Preciso começar a caminhar…Vou contigo… Gostei desta parte “nosso carro não precisa ser o melhor, nossa casa tem apenas a função de nos abrigar e acolher, então, podemos jogar conversa fora, rir de nós mesmos, brincar como crianças…”
Queria que vc escrevesse depois um artigo sobre sonhos.
Abraço.
Excelente, um dos melhores! Esse aà dá pra refletir bastante. Pablo Neruda é demais, e a frase “Nada é irreversÃvel” mais do que verdadeira. Muito bom Gordo.
Grande abraço!
Cada dia melhor Gordo!
adoro entrar aqui e sempre ler algo que me faz viajar!! heuhu
valeu Gordo!
Forte Abraço!
“Então me diz qual é a graça, de já saber o fim da estrada, quando se parte rumo ao nada..” (Moska)
Ótimo artigo. Qual é o sentido de nos preocuparmos mais com a chegada, se a beleza maior está na caminhada..
Isso não quer dizer que não devemos nos preocupar com o futuro, com o pódio, quer dizer, simplesmente, que devemos dar mais atenção ao trajeto, aproveitar mais intensamente os prazeres encontrados em nossa caminhada.
Parabéns!
Abs!
Ainda nessa apologia do caminho e caminhar vou deixar um texto sobre encruzilhada… Do paganismo romano aos cultos afro-brasieiros, da mitologia grega as tradições indÃgenas americanas, a encruzilhada sempre foi considerada um lugar sagrado. É ali que alguns deuses habitam e observam o viajante tomar uma decisão.
Ali se concentram as duas grandes energias: o caminho que será escolhido, e o caminho que será abandonado. Ambos estão juntos numa encruzilhada. Ambos se transformam brevemente em um só caminho. O caminhante pode descansar, dormir um pouco, até mesmo consultar os deuses que habitam as encruzilhadas, mas ninguém pode ficar ali pra sempre; uma vez tomada a decisão é preciso seguir adiante, confiar no próprio coração…. e esquecer o caminho que não escolhemos…
Gordo!! Seu blog ta demais, o problema é que quando eu entro aqui tá muito atualizado! hahaha
abração e parabens
Muito bom Humberto!! De fato não sabemos viver um dia de cada vez. Raramente vivemos intensamente um momento. Não paramos para sentir, perceber, curtir…apenas para fazer, executar, buscar, correr contra o tempo.
Gosto deste trecho de um texto da Martha Medeiros que ilustra um pouco isso “Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.”
As crianças mais sentem do que fazem.Por isso são tão felizes. Acho que é por isso que sempre nos lembramos da infância com tanta saudade!!
Obs.: Cada artigo seu que leio dá vontade de ler mais! rsrs! Nem vejo o tempo passar!
Adoreio texto e a reflexão é mais que oportuna .
Vai aqui só uma observação pertinente:
o Poema titulo é do Antonio Machado e o não de Pablo Neruda.
É impressionante como as suas reflexões conseguem realmente tocar a gente , e nos fazer pensar em tudo o que estamos fazendo das nossas vidas. Pensar em como foi boa nossa infância e como dexamos passar momentos que podiam ser masi marcantes.
Exelente esse texto .
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
O segredo da boa vida está na descoberta do dia a dia, que somente conquistamos quando nos dispomos a buscar o desconhecido.
Nossa…seu texto me fez sentir o gosto, literalmente na minha boca, de toda minha infância, posso sentir a emoção de andar de ônibus em Uberlandia depois de me mudar de Patrocinio…foi sensacional, aquela emoção era só minha. Parabens Humberto, muito linda suas palavras. É uma pena ver você saindo do PCP, mas outras pessoas terão a chance de aprender com você.