Já fiz muitas reflexões sobre o silêncio. Ele depende muito do nosso estado de espírito. Tem silêncio que traz uma paz profunda, outros que nos amedrontam e até que nos paralisam. Algumas vezes o silêncio dói. Sempre em nossas vidas vamos construindo expectativas, sonhos e planos. Existe plano da viagem, plano de formar, de casar, de ter filhos e muitos outros. Sempre com um plano, vem um sonho ou uma idealização. Quando isto acontece, somos fadados a fracassar, pois, aprendi (a duras penas) que não existe a viagem perfeita, não existe a casa perfeita, muito menos o plano perfeito. Não significa que não seja bom. Como é bom o inesperado, o que foi surgindo. Lembro de várias experiências que se tornaram positivas frente a uma expectativa muito ruim. Assim aconteceu com meu curso de crisma. Eu achava tudo meio massante e, foi lá que descobri grandes amigos que hoje me rodeiam, depois de 18 anos. Eu fui a um retiro que me transformou e me apresentou muita gente boa de se conviver.
Outras vezes, somos surpreendidos por pessoas, lugares e acontecimentos inesperados que nos frustram, nos machucam e provocam dores profundas na alma. Grande parte das vezes, a frustração está vinculada a uma grande expectativa, uma idealização. E aí que o silêncio se torna um intrumento de dor. Este silêncio que parece cortar a alma, que é ampliado pelo tempo em que passamos com ele provoca um imensa dor. Muitas vezes é cheio de ausência. Faltam as palavras de amor, a dedicatória, é cheio de um chamar de nomes e de homenagens que nunca são suas.
Outras vezes o silêncio nos devolve a paz, nos permite refletir, nos abençoa. O silêncio depois de um show de rock, depois de um choro compulsivo, depois do grito de vitória. Por isto eu gosto tanto da frase: A dor é inevitável, mas o sofrimento uma opção. Vejo que podemos escolher ser felizes, mas, preferimos nos acostumar. Nos acostumamos a velhas reclamações, nos acostumamos a velhos carinhos, antigas crenças. Quando deveríamos repensar e jogar fora tudo que nos fere. Mas é difícil fazer escolhas, por que sempre teremos perdas. Por isto costumo dizer, não tem certo ou errado, apenas caminhos. Porém, é importante mudar de caminho quando sofremos, seja transformando nossa vida atual ou mudando radicalmente. O que não dá é para viver na inércia e conviver com as dores do silêncio.
Quero viver com amor, com simplicidade e com uma expectativa menor, para que eu possa mudar de planos, replanejar, ou mesmo andar sem destino por estes caminhos da vida. Se a expectativa é pequena a realização é mais fácil.
Mas enfim, talvez tenhamos que passar por várias dores silenciosas até encontrarmos o silêncio que traga paz. Eu desejo a todos os amigos que lêem este texto agora que sejam felizes… você vai ver que isto depende muito mais da sua expectativa do que das suas escolhas.
Abraços,
Humberto (Gordo_Oasis)
Humberto,
Não sei se já te enviei o poema abaixo mas acho que complementa o que você escreveu:
Não sei…
Se a vida é curta ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
Se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais,
Mas que seja intensa, verdadeira, pura…
Enquanto durar.
Cora Coralina
Gordo, muito bom o post!
Gostei bastante!
Tem relação com a poesia abaixo
Definitivo
“Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.
Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional…”
Carlos Drummond de Andrade
Grande Abraço!
Outro dia vi uma entrevista com o lobão e ele falou uma frase q complementa tdo isto e q me marcou mto: A expectativa é a mãe da decepção…
A gde parte de nossas decepções advém de uma gde expectativa q não se concretizou.
Bjs